A Força do Feminismo Negro nas periferias em tempos de Corona Vírus

Atualizado: 24 de Abr de 2020


Com o avanço do Covid-19 no Brasil é possível identificar os desafios enfrentados por mulheres negras e suas famílias nas periferias ondem residem.


Em que pese a disseminação de informações e medidas de prevenção visando impedir o crescimento do índice de infectados pelo vírus, dentro das comunidades periféricas a realidade é bem diferente pois, abandonados e invisíveis pelo poder público, os moradores sofrem severas violações de seus direitos como cidadãos, tais como suspensão no fornecimento de água, ausência de vacinas para o grupo de riscos nos postos de saúdes, dentre outros.


No dia 20 de março, em um bairro da zona norte do Recife, ficou evidenciada pela mídia a forma de como a população periférica é tratada quando aciona o sistema de saúde em busca de atendimento médico, veja:



A nossa Carta Magna de 1988, em seu artigo 5º Caput, prevê que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Vale ressaltar que o respeito ao princípio da igualdade pressupõe que as pessoas colocadas em situações diferentes sejam tratadas de forma desigual, ou seja “Dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades


Acerca do registro supra indagamos: Está sendo respeitado o direito dessa mulher negra no que diz respeito ao princípio da igualdade garantido constitucionalmente? Acaso fosse o socorro de uma moradora da zona sul, o modo de resgate seria o mesmo? Essa moradora receberá o mesmo tratamento médico de que outra moradora da zona sul junto ao nosso sistema de saúde?


Inconteste o tratamento desrespeitoso para com a população periférica, e em se tratando de mulher negra, é costumeira a total ausência de humanidade, uma vez que carregamos os estigmas do período escravocrata da nossa ancestralidade, bem como, por continuarmos sendo o outro do outro, estamos na base da pirâmide dessa cadeia hierárquica da sociedade machista, homofóbica, racista, patriarcal e capitalista, e em tempos de pandemia fica ainda mais latente como somos invisíveis e não reconhecidas como um ser de direitos.


Urge salientar que muitas de nós mulheres negras somos chefes de nossas famílias, trabalhamos de forma autônoma, somos mães solo, temos que garantir a subsistência de nossos filhos, sobrinhos, mães, avós. E como no dia a dia já lidamos com ausência de saneamento básico, água potável, energia, saúde e segurança pública, mesmo suportando uma carga tributária maior do que mulheres brancas, temos a todo momento nossos direitos e garantias negados pelos governantes.


E diante de tantas sonegações de direitos, enquanto mulheres negras, temos que continuar lutando para garantir o pão na mesa de nossas famílias, mas como se estamos em