O legado de Martin Luther King na militância atual


“Agora é hora de sair do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado da justiça racial.” Essa foi a frase dita por Martin Luther King, no dia 28 de agosto de 1963, para cerca de 250 mil pessoas, durante a Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade. Assassinado aos 39 anos, Martin deixou para América e para o mundo um legado, a incansável luta pela igualdade, acreditando sempre que a melhor forma de vencer o racismo era promovendo um diálogo não violento.


O fato de Martin pregar a não violência, como forma de promover mudanças, nunca o desencorajou diante das lutas contra as injustiças raciais. King, ficou ainda mais conhecido após ter liderado, em 1955, as manifestações contra o caso de Rosa Parks, mulher negra que foi injustamente detida após se recusar a ceder seu lugar a um homem branco no ônibus. Essa manifestação durou aproximadamente um ano, tempo no qual o ativista sofreu diversos atentados, no entanto, conseguiu que a Corte Americana, mesmo a contra gosto, tornasse ilegal a discriminação racial em transportes públicos.


Durante a Marcha sobre Washington, o ativista realizou um brilhante discurso que até hoje repercute em todo lugar do mundo, conhecido como ‘I have a dream’, ou seja, eu tive um sonho. Entre os trechos da sua fala, Martin disse sonhar que seus quatro filhos um dia viveriam em uma nação onde não seriam julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Infelizmente, ele não pôde acompanhar o crescimento da sua família pois, em 4 de abril de 1968, foi brutalmente assassinado por opositores racistas que tentaram calar sua voz.


Ainda que seus sonhos não tenham sido realizados até hoje, 53 anos depois de sua morte, seus ideais e sua luta são lembrados e estão presentes nos movimentos de militância. Muitas conquistas de promoção à igualdade racial só foram concretizadas a partir de uma luta que foi levantada por ele.


Em 2020, a população americana mais uma vez decidiu sair do vale escuro para gritar por direitos e igualdade racial não só para a América, mas para o mundo. No Brasil, o movimento “Black Lives Matter” foi um marco do despertar para a população negra que continua sofrendo ataques racistas diariamente, no qual perde suas crianças e jovens. Nossa voz não pode ser mais calada, pois somos movidos pela luta de séculos dos nossos ancestrais. Martin Luther King, Dandara, Zumbi dos Palmares, Malcolm X, João Cândido, Abdias do Nascimento e muitos outros foram cruciais para que essa luta fosse possível.


A morte de Luther King não produziu um recuo na luta da população negra, pelo contrário, estimulou pessoas negras de todo o mundo a lutarem por seus direitos e a buscarem ocupar espaços públicos, de onde sempre fomos excluídos. Assim como ele disse, “Não haverá nem descanso nem tranquilidade na América até o negro adquirir seus direitos como cidadão” e nós estaremos aqui para garantir isso hoje e nas próximas gerações.



Débora Gonçalves.

Advogada.

Pós-Graduanda em Direito Público.

Secretária da Comissão de Igualdade Racial OAB/PE.

Co-fundadora da Abayomi Juristas Negras.



*Este artigo é produzido com o apoio do Fundo Baobá, por meio do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco. Ele reflete a opinião da Abayomi Juristas Negras e não dos apoiadores que contribuíram com sua produção.

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