Violência doméstica contra a mulher cresce durante quarentena

Atualizado: 24 de Abr de 2020

A sociedade civil está vivendo um momento extraordinário em sua história com a chegada do Covid-19, o Coronavírus.


Logo que foi veiculada, pelos meios de comunicação, a confirmação do primeiro caso de contaminação pelo vírus no Brasil e o crescente número de infectados em todos os outros países do mundo, surgiram diversas recomendações para inibir o risco de maior proliferação do vírus, tais como o isolamento social, a implantação do teletrabalho ou home office, a proibição do comércio presencial e informal, e outros.


Diante dessas medidas, sem um prévio planejamento, não tínhamos como prever as consequências do isolamento social e da quarentena para a sociedade.

Conforme dados recentes, a violência doméstica contra a mulher cresceu assustadoramente neste momento de quarentena.


Você sabe o que é violência doméstica?

Conforme artigo 5º da Lei Maria da Penha, violência doméstica e familiar contra a mulher “é qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano mora ou patrimonial”.


Vale ressaltar que a violência doméstica contra a mulher perpassa por 3 ciclos, que são:


1) AUMENTO DA TENSÃO

O agressor se mostra inicialmente tenso e irritado por coisas banais, até ter acessos de raiva: humilhando a vítima, fazendo ameaças e destruindo objetos. A vítima tenta acalmar o agressor e evitar qualquer ação que possa provocar fúria novamente, sentindo-se triste, angustiada, com medo, dentre outros. De modo geral, ela tende a esconder de seus amigos e familiares a sua situação, a justificar e se culpar pela atitude do agressor.

2) ATO DE VIOLÊNCIA

Nesta fase inicia a explosão do agressor, ou seja, a falta de controle chega ao limite e o mesmo comete o ato de violência para com a vítima. Esta sofre com a tensão psicologia severa (insônia, perda de peso, ansiedade), sente medo, ódio, pena de sim mesma, e neste momento, ela pode tomar algumas decisões como buscar ajuda, denunciar, se esconder na casa de amigos, pedir separação e até mesmo cometer suicídio, a depender do nível de agressão psicológica sofrida.

3) ARREPENDIMENTO E COMPORTAMENTO CARINHOSO

Conhecida como “lua de mel”, este é o momento em que o agressor se diz arrependido e se torna amável para reconciliar com a vítima. Normalmente, a vítima sente-se confusa e pressionada a manter a relação abusiva diante da sociedade, sobretudo, quando tem filhos menores.

Assim, há um período relativamente calmo, em que a mulher volta a se sentir feliz por acreditar que há esforços por parte do agressor em mudar suas atitudes, e como há demonstração de remorso, ela se sente responsável por ele, o que estreita a relação de dependência vítima e agressor. Por fim, a tensão volta e, com ela, as agressões da Fase 1.


Vale salientar que, com o passar do tempo, os intervalos entre uma fase e outra ficam menores e as agressões passam a acontecer sem seguir essa ordem das fases. Em alguns casos, o ciclo lamentavelmente acaba com o feminicídio, que é o assassinato da vítima.