• PATRICIA OLIVEIRA

Violência doméstica contra a mulher cresce durante quarentena

Atualizado: Abr 24

A sociedade civil está vivendo um momento extraordinário em sua história com a chegada do Covid-19, o Coronavírus.


Logo que foi veiculada, pelos meios de comunicação, a confirmação do primeiro caso de contaminação pelo vírus no Brasil e o crescente número de infectados em todos os outros países do mundo, surgiram diversas recomendações para inibir o risco de maior proliferação do vírus, tais como o isolamento social, a implantação do teletrabalho ou home office, a proibição do comércio presencial e informal, e outros.


Diante dessas medidas, sem um prévio planejamento, não tínhamos como prever as consequências do isolamento social e da quarentena para a sociedade.

Conforme dados recentes, a violência doméstica contra a mulher cresceu assustadoramente neste momento de quarentena.


Você sabe o que é violência doméstica?

Conforme artigo 5º da Lei Maria da Penha, violência doméstica e familiar contra a mulher “é qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano mora ou patrimonial”.


Vale ressaltar que a violência doméstica contra a mulher perpassa por 3 ciclos, que são:


1) AUMENTO DA TENSÃO

O agressor se mostra inicialmente tenso e irritado por coisas banais, até ter acessos de raiva: humilhando a vítima, fazendo ameaças e destruindo objetos. A vítima tenta acalmar o agressor e evitar qualquer ação que possa provocar fúria novamente, sentindo-se triste, angustiada, com medo, dentre outros. De modo geral, ela tende a esconder de seus amigos e familiares a sua situação, a justificar e se culpar pela atitude do agressor.

2) ATO DE VIOLÊNCIA

Nesta fase inicia a explosão do agressor, ou seja, a falta de controle chega ao limite e o mesmo comete o ato de violência para com a vítima. Esta sofre com a tensão psicologia severa (insônia, perda de peso, ansiedade), sente medo, ódio, pena de sim mesma, e neste momento, ela pode tomar algumas decisões como buscar ajuda, denunciar, se esconder na casa de amigos, pedir separação e até mesmo cometer suicídio, a depender do nível de agressão psicológica sofrida.

3) ARREPENDIMENTO E COMPORTAMENTO CARINHOSO

Conhecida como “lua de mel”, este é o momento em que o agressor se diz arrependido e se torna amável para reconciliar com a vítima. Normalmente, a vítima sente-se confusa e pressionada a manter a relação abusiva diante da sociedade, sobretudo, quando tem filhos menores.

Assim, há um período relativamente calmo, em que a mulher volta a se sentir feliz por acreditar que há esforços por parte do agressor em mudar suas atitudes, e como há demonstração de remorso, ela se sente responsável por ele, o que estreita a relação de dependência vítima e agressor. Por fim, a tensão volta e, com ela, as agressões da Fase 1.


Vale salientar que, com o passar do tempo, os intervalos entre uma fase e outra ficam menores e as agressões passam a acontecer sem seguir essa ordem das fases. Em alguns casos, o ciclo lamentavelmente acaba com o feminicídio, que é o assassinato da vítima.


Na China, ONGs que atuam na defesa e acolhimento de mulheres vítimas de violência doméstica, constataram que após a disseminação do Covid-19, as demandas de violência doméstica triplicaram no curto espaço de tempo de 2 (dois) meses.


Igualmente, a ONU Mulher e órgãos internacionais de proteção feminina, informam que no Brasil há um índice crescente da violência doméstica contra a mulher após o confinamento da quarentena, temos como exemplo o estado do Rio de Janeiro, que já contabilizou um aumento de 50% (cinquenta por cento) de casos de violência doméstica neste período.


Com a determinação da quarentena, a mulher vítima de violência doméstica foi obrigada a permanecer mais tempo no mesmo ambiente com o seu agressor, e com a suspensão dos atendimentos nos órgãos de apoio a essas vítimas, tem-se agravado a situação dessas mulheres em situação de vulnerabilidade.


Desse modo, toda a sociedade é chamada para denunciar casos de violência doméstica, porque em briga de marido e mulher devemos, sim, meter a colher.


Não deixe calar a nossa voz, não!

SERVIÇOS:

Disque:

180 - Central de Atendimento à Mulher em situação de violência;

190 - Polícia;

0800 281 8187 – Ouvidoria da Secretaria da Mulher de Pernambuco;

0800 281 0107 - Liga da Mulher da Prefeitura de Recife/PE;

(81) 3355-3008/3355-3009 – Centro Clarice Lispector (Prefeitura de Recife/PE).



Patrícia Oliveira

Advogada



*Este artigo é produzido com o apoio do Fundo Baobá, por meio do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco.

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© 2020 por ABAYOMI Juristas Negras. Fotos de Luana Cruz (@luanacruzfoto).
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