• Lígia Verner

Outubro rosa. Novembro azul

Câncer e Direitos. Saúde e Iniquidades. Mulheres Negras. Homens Negros.


As mulheres negras e o câncer de mama


Outubro Rosa é uma campanha iniciada em 1990, em Nova York, para incentivar mulheres a fazerem o exame de mamografia. O Brasil se baseou nos ditames legais do Reino Unido para introduzir no nosso país parâmetros não nacionais de realização do exame, desconsiderando, por exemplo, que lá no Reino Unido a incidência do câncer de mama é entre os 50 e 69 anos, enquanto que aqui no Brasil ocorrem em mulheres entre 40 e 59 anos. Com todas as dificuldades para realização de exames, mulheres nesta faixa etária, entre 40 e 59 anos de idade, desenvolviam a doença sem diagnóstico precoce.


Aqui em Pernambuco, temos a LEI Nº 12.770, DE 8 DE MARÇO DE 2005, que dispõe sobre os direitos das usuárias e dos usuários dos serviços e das ações de saúde no Estado e dá outras providências e que traz no seu artigo 2º que


É vedada aos serviços públicos de saúde e às entidades públicas ou privada, conveniadas ou contratadas pelo poder público: I - realizar, proceder ou permitir qualquer forma de discriminação entre os usuários dos serviços de saúde; II - manter acessos diferenciados para os usuários do Sistema Único de Saúde - SUS - e quaisquer outros usuários, em face de necessidades de atenção semelhantes. Parágrafo único - O disposto no inciso II deste artigo compreende também as portas de entrada e saída, salas de estar, guichês, listas de agendamento e filas de espera.


Sabemos que, de uma forma geral, em relação especificamente ao câncer de mama, primeiro em incidência, conforme demonstrado a seguir, o que ainda salva muitas mulheres é o autoexame, que ainda precisa ser mais divulgado e, para além da divulgação, é preciso que as mulheres que percebam ter alguma alteração mamária possam ter acesso rápido à consulta médica qualificada para que seja dado um diagnóstico seguro, tanto o diagnóstico negativo para tranquilizar a mulher, quanto para início imediato de tratamento, quando houver diagnóstico positivo de ocorrência da doença.


O quadro abaixo apresenta a estimativa de número de casos de incidência de câncer em mulheres no Brasil em 2020 e qual é a localização afetada do corpo onde ocorre a doença.


Incidência estimada conforme a localização primária do tumor e sexo.

- em mulheres, Brasil, 2020.

Fonte: MS / INCA / Estimativa de Câncer no Brasil, 2020 MS / INCA / Coordenação de Prevenção e Vigilância / Divisão de Vigilância e Análise de Situação

Em relação às mulheres negras, a matéria publicada em 17 de agosto de 2020, no site da Faculdade de Medicina de Minas Gerais – UFMG, informa que, conforme pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da própria faculdade, a sobrevida de mulheres negras em casos de câncer de mama é até 10% menor do que entre mulheres brancas. Os números são do Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo – projeto de doutorado, da farmacêutica Lívia Lovato Pires de Lemos, sugere que um dos principais motivos de que a sobrevida de mulheres negras seja menor que a de mulheres brancas é o diagnóstico tardio. “O câncer de mama afeta diferentemente as mulheres segundo a cor da pele. Nós pensamos que seria muito relevante demonstrar a magnitude desse diagnóstico tardio no Brasil”, explica Lívia Lemos.


"Este estudo científico incluiu ao todo, cerca de 60 mil mulheres, sendo 62% brancas, 31% pardas e 6% pretas, que iniciaram o tratamento contra o câncer de mama entre 2008 e 2010. Este trabalho lança luz sobre a iniquidade racial em saúde", diz a doutoranda.


Há uma maior incidência de câncer de mama em mulheres negras antes dos 40 anos.


Observa-se que o diagnóstico precoce faz com que exista mais possibilidade de cura para a doença. Neste contexto, é fácil constatar que, o fator decisivo para que o câncer de mama seja mais fatal em mulheres negras é a dificuldade de acesso aos serviços de saúde pública.

Foto: Divulgação / Folha Vitória

É preciso observar o que de fato está causando a ausência de diagnóstico precoce de câncer de mama em mulheres pardas e pretas para que mais vidas de mulheres negras sejam salvas.


Há acesso efetivo aos exames? Porque não se faz as campanhas oferecendo os exames a mulheres negras abaixo de 40 anos, já que há alta incidência de câncer de mama nesta população? Estas questões precisam ser analisadas.

Os homens negros e o câncer de próstata

A campanha Novembro Azul teve início em 2003, na Austrália, com o objetivo de chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças que atingem a população masculina. É no mês de novembro que se realizam mobilizações diante da campanha, tendo o dia 17 de novembro lembrado como o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.


O quadro abaixo, apresenta a estimativa de número de casos de incidência de câncer em homens no Brasil em 2020 e qual é a localização afetada do corpo onde ocorre a doença.


Incidência estimada conforme a localização primária do tumor e sexo.

- em homens, Brasil, 2020


Fonte: MS / INCA / Estimativa de Câncer no Brasil, 2020 MS / INCA / Coordenação de Prevenção e Vigilância / Divisão de Vigilância e Análise de Situação


Mortalidade proporcional não ajustada por câncer de PRÓSTATA, homens, Brasil, entre 2010 e 2018.


No Brasil, são diagnosticadas em média, anualmente, entre 60 e 70 mil pessoas com câncer de próstata. Cerca de 15 mil pessoas vão a óbito. Diariamente, 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata e, aproximadamente, 3 milhões vivem com a doença.


O coordenador da urologia do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira – IMIP, localizado em Recife/PE, Dr. Seráfico Junior, aponta como é feito o diagnóstico:

"Todo homem que for ao urologista vai realizar o exame de sangue chamado PSA, ultrassonografia da próstata e, em alguns casos, o toque retal. Nos pacientes que apresentarem alteração, é feita uma investigação através de uma ressonância magnética multiparamédica da próstata e, de acordo com a indicação, realiza-se uma biópsia de próstata guiada por uma ultrassonografia."


Sobre os homens negros, o câncer de próstata tem mais ocorrência do que entre homens brancos. Sabe-se que os fatores de risco são: histórico familiar de casos de câncer de próstata: pai, irmão e tio; raça/cor: homens negros sofrem maior incidência deste tipo de câncer; e obesidade.

Fonte: internet.

Os sintomas são: na fase inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas e, quando alguns sinais começam a aparecer, cerca de 95% dos tumores já estão em fase avançada, dificultando a cura. Na fase avançada, os sintomas são: dor óssea; dores ao urinar; vontade de urinar com frequência; - presença de sangue na urina e/ou no sêmen.


Para o Dr. Seráfico Junior, todo homem acima de 45 anos deve procurar a(o) urologista uma vez por ano, mas, pacientes da raça negra ou com histórico na família de câncer de próstata devem iniciar esse acompanhamento a partir dos 40 anos.


Conforme destaca o coordenador

"o negro tem, aproximadamente, duas vezes mais chance de desenvolver o câncer de próstata. Já quando o homem tem um parente que já teve o problema o risco sobe um pouco mais do que o dobro de desenvolver a doença e, a partir do segundo parente diagnosticado, o risco sobe para quatro vezes mais chance do que a população padr