Racismo religioso, até quando?


O que falar sobre quem se opõe fervorosamente e brutalmente contra quem acredita no bem tanto quanto quem agride diz que supostamente acredita? Arrogância? Prepotência? Negacionismo?


Para as duas primeiras identificações eu diria sim, que é possível falar que estas pessoas são arrogantes e prepotentes. Sobre o Negacionismo (do francês négationnisme), vejo uma identificação apropriada. Quero dizer, se o Negacionismo representa, de forma simplificada, negar uma realidade empírica verificável, que visa negar tanto fatos históricos quanto de evidências científicas.


No contexto do repúdio, na recusa em admitir a fé no que não se assemelha ao que imaginativamente se idealiza como representação única e ideal de divindade(s), se nega a existência de outras culturas e outras vivências, outras “imagens e semelhanças”.


Ora, se Deus é nossa imagem e semelhança, porque ele privilegiaria determinado biotipo? Ou seja, porque quando há representações e cultos a Deus e a tudo o que está em volta Dele, como insígnias e outras representatividades com estilo eurocentrado, se torna lindo e maravilhoso, enquanto tudo, ou quase tudo, dependendo do quanto se distancia dessa representação aparente, é rechaçado à medida deste distanciamento simbólico e existencial.


Imagem e semelhança de quem? Não seria mais divina e maravilhosa a atitude de verificar nas religiosidades diversas apenas se o propósito é o bem espiritual? Não, né? Nesse mundo em que vivemos tudo precisa seguir uma escala de quem é o modelo perfeito e qual é a norma a ser seguida. Sim, é preciso haver um mínimo de organização sobre convivências, rituais, cerimônias, etc., mas não imposição de método, de identificação onde não há representatividade de vivências e realidades. Quero dizer, se na minha realidade e da minha comunidade, quando desejo fazer uma cerimônia religiosa vou à beira do rio, qual o problema? Porque os instrumentos musicais devem ser órgãos, harpas e não atabaques e abês?

Fonte: Internet


A população indígena, por exemplo, tinha sua religiosidade e espiritualidade originais antes de europeus invadirem suas terras e dizerem que amar as águas dos rios e cultuar sua existência como uma divindade, “não era normal”. Afirmando não ser normal, qual a solução encontrada pelos europeus? Impor seu próprio modus operandi de venerar a existência da natureza e de todas as coisas criadas no mundo. Para eles, não poderia ter sido Iamandu ou Nhamandú (Ñamandu), Tupã quem criou a natureza, mas sim Deus. Ora, mas Tupã era Deus. Não importava! Teria que ser eliminado, pois os comportamentos indígenas não poderiam ter sido iluminados por uma divindade que pudesse ser identificada com Deus.


Eram seres inferiores, animais que não poderiam se tornar cristãos, mas podiam ser escravizados ou mortos. Esta interpretação decorria da divulgação de estereótipos sobre os povos bárbaros, sendo manipulada por colonos em proveito próprio, para legitimar as “guerras justas” e a escravidão (Raminelli, 1996).

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